terça-feira, 8 de maio de 2012


estigma 

s. m.
1. Marca, cicatriz perdurável.
2. Marca infamante feita com ferrete.
3. [Figurado]  Labéu; nota de infâmia.
4. [Botânica]  Abertura superior do pistilo por onde entra o pólen.
5. Orifício lateral da traqueia. dos insectos...


Santa Comba Dão é hoje, por si só, uma linda cidade, refém de um passado vinculativo, herança não reivindicada, mas presente em cada esquina, em cada café, em cada rosto com mais de 30 anos. Viver em Santa Comba, embora circunstancialmente agradável, devido à sua implantação geográfica, é, sinceramente, doloroso. Sente-se o medo paralisante a dominar cada sorriso, uma vergonha encapotada, da qual raramente se ousa falar ou invocar. O seu comércio é pouco vibrante e apelativo e, consequentemente, difícil. O que é certo é que o pensamento dominante não é claro, antes vive qual fungo numa plataforma de favores e silêncios que em nada ajudam a abertura e consequentemente aragem das suas gentes e, não me interpretem mal, gentes boas.
Ora, rejeitando por natureza as teias tortuosas dos poderes instituídos e pautando-me, como sempre, pelo mais alto valor universal que conheço, a LIBERDADE, quero lançar aqui um grito: seguro de que temos obrigação de preparar o futuro, urge viver o presente com outra dinâmica. É para mim estranho que não exista uma convergência cultural em toda a região do Pinhal Interior Norte que possa agrupar as ofertas culturais num plano abrangente e eficaz que dinamize as ofertas de toda a região (música, teatro, artes-plásticas, etc., etc.), potenciando todos os agentes existentes numa política supra-partidária. Em Carregal do Sal, Tábua e Santa Comba Dão existem boas salas de espectáculo. Seria interessante tirar realmente partido delas, criando hábitos na região. Para isso, é fundamental não ter medo e querer trabalhar. Só mostrando vontade, organização, espírito de equipa e liderança motivada será possível aproveitar as “mais-valências” das várias escolas de música e artes que existem no distrito, especificamente na nossa área geográfica.
É, pois, tempo de deitar mãos à obra, para que num futuro breve possamos usar o epíteto que dá nome a esta crónica, como se botânica se tratasse. Abrindo as janelas para entrar o novo pólen regenerador, anunciando cíclicas primaveras de criatividade e alegria..

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A Árvore da vida

os dias correm plenos , a leve poeira que se levanta dos carreiros não deixa adivinhar o peso da lama que o inverno alquimicamente transformará, o ar quente parece suster a azáfama de todos os seres colocando em "pause" a vida….e no entanto uma plenitude imensa preenche-me os sentidos. Não equaciono de onde chega , como não o faço em relação aos ventos ou às marés….invade-me e regozijo com essa sensação. Sons bizarros cortam o ar, angustiando os pássaros que se atrevem a ser perante o calor abafante, também esse som me alimenta e nele sem dar por isso tantas vezes pouso e observo, como se as suas melodias flagelantes nada mais fossem do que um heliporto onde desligo as hélices…..e vivo!

das duas vezes que me aconteceu não consigo quantificar numa escala de arquitectura legível a intensidade das sensações, um vislumbre do eterno não materializável ou uma partida do complexo sistema cerebral ,da matéria orgânica……uma consciência abrupta e súbita do infinito no primeiro dia do pensamento não abstracto, como se o tributo pela entrada no real se tratasse. o carro não devia vir veloz mas pesado e o embate não devia ser forte mas na fragilidade da tenra idade tudo é forte…..e lá estava…"pause"…o silencio inerente…a luz , um vislumbre da eternidade …. "Não tenhas medo" e o experimentar de uma alegria que entra em tudo , que preenche tudo, que harmoniza e relativiza mesmo tudo….e os dias foram correndo plenos, leves e cheios mesmo quando pareciam vazios……muitos dias mais tarde 30 e tal anos sensivelmente, quando o zumbido de tudo o que vive escamoteara quase por completo esse vislumbre e o calor mais uma vez entorpecia , no meio da cidade anacronicamente violenta na sua multitude ambiental , o sinal vermelho, a arvore e subitamente…."pause"….ahhh lá estava …..o deserto, a relatividade temporal, vidente do absoluto, o turbilhão estéril da razão , a questão…..saí desse estado por força circunstancial de novo do som , desta vez frenético das buzinas dos que dependiam de mim e não estavam em "pause" para seguirem os seus rumos conscientes …..alerta !!!! o plano do sonho e do surreal afinal e realmente são coexistentes e bem reais, nessa morada de absoluto, residirá o dogma da morte….a morte e a vida afinal são a mesma coisa ….."pause"……ou por força da consciência do amadurecimento me perdia na questão pueril quando devera simplesmente fluir…a terceira vez …..espero por ela, o chamado vislumbre do finito real agora que mais 20 anos se passaram, ciente de que o próximo "pause" será talvez o principio de um novo "play"….a união ….o próprio calor entorpecente, o grande ventre ….a fusão….o zero absoluto.

sábado, 12 de março de 2011

O Silêncio dos inocentes


A luta é alegria??? Não , não é!!!A luta só tem fundamento se assente numa vontade férrea de mudança, tem na sua génese mais pura a sobrevivência, e na persistência o seu mais forte trunfo. Perguntem aos que actualmente se revoltam no mundo Árabe se a luta é alegria, ou a todos os que têm feito dela a sua vida e bandeira, sofrido e morrido por ela, a tal que pretendem agora alegre. Não a luta não é alegria, hoje e aqui em Portugal , ficou provado que existem voluntários para ,mas não um exército , a luta não se resigna. Que eu saiba, as ruas de Lisboa, Porto e restante País, voltaram a esvaziar, talvez porque os "lutadores", meteram a viola no saco, ou foram tomar um copo (o que é legitimo) já que hoje é sábado. A luta não é alegria.!! A luta não pode ser circunstancial.Quando aqueles que hoje se sentiram com voz se resolverem realmente a lutar , então nesse momento a Luta passará realmente a ser o que é - um Combate-, e é disso que precisamos, de um verdadeiro combate, pela nossa génese mais profunda de povo secular que nos deve impelir para a expulsão destes vendilhões do templo...já que uma coisa parece certa, eles não sairão sem luta. Por isso proponho que comecemos por rever os salários de todos os detentores de cargos politicos, proponho que se dissolvam todas as assembleias que se alimentam dos mais fracos e desfavorecidos começando por S.Bento, proponho que os deputados eleitos sejam menos em número e que pertençam efectivamente à classe média e consequentemente se portem como tal a nível de direitos e obrigações, para que possam vir eles a ser os verdadeiros lutadores pelo futuro da nação. Proponho que não se paguem as dividas aos bancos e à banca, e que os banqueiros e detentores do grande capital distribuam mais equitativamente a riqueza acumulada, com retroactivos. A luta é alegria??? Não não é !!!!! Nem a Europa multifacetada pode ter a pretensão de nos subjugar à sua paleta de politicos e economistas ou vice versa. Por enquanto esta luta é ruido, e sem general à vista corremos o risco de nos quedarmos inocentemente ao silêncio.........resignados.

quinta-feira, 3 de março de 2011

the thin red line (barreira invisivel)


A voz interior, aquela com a qual invariavelmente nos encontramos pouco antes de adormecermos, também chamada de consciência, julgadora, decisora, de Deus, ambivalente, sensata, insensata, louca, serena, subtil ,grave ou aguda, ela realmente tem duas bocas, a da cabeça e a do coração. A conciliação das duas traduz-se harmoniosamente na voz do intelecto, unica amplificadora do bem e do mal em cada um . Quando essa voz se eleva, por exemplo ao som de Coltrane ou Miles, ou quando ela se encontra com o restolhar das folhas de arvores de grande porte em dias de vento, nesses preciosos microsegundos de microsegundos, sinto-me submerso e dormente, e profundamente feliz creio compreender o sentido da vida...tudo o resto é Maya (ilusão).

O verdadeiro conflito da humanidade é interior. Escutem a vossa voz.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Lost in translation


Este blog arranca numa altura de mudança, consequentemente de mudança de rumo. Não profissional que esse já se deu há dois anos atrás. Desta vez falo de uma efectiva mudança de ares. Se (como já o disse numa canção do álbum "Segredos") todo o amor de litoral, longe do mar tem problemas, era preciso que eu acreditasse na imutabilidade das sensações para ficar refém das minhas próprias cantigas, o que não é de todo o caso, aliás não me atreveria a dar este passo se não estivesse o meu coração preenchido e sereno, sendo assim levo o litoral comigo e vou ver e descobrir a montanha. Outras perspectivas, altitudes (atitudes) e aromas por certo que invadirão a minha alma e despertarão outros caminhos e outros sons....vai-me fazer bem, pensamento positivo!!! .

Curiosamente a minha filha Joana inicia também ela um novo ambiente, coincidência ou não, aposto que desta vez aquele sorriso mágico brilhará por muitos e bons anos, felicidades Juca e Nuno (tolerância é a chave) :-).

Mas como o titulo deste meu primeiro "post" indica, o facto é que não assentei ainda arraiais, encontro-me num apeadeiro, confortável, ameno e cordial mas.....que não é o meu. Estou e sou grato a quem me acolhe com tanto carinho , fazendo-me sentir filho da casa o que para mim além de excepcional é comovente. Muito obrigado.

Embora os pertences estejam efectivamente empacotados e engarajados (em garagem :-)) o cérebro continua activo e a fervilhar...a impetuosidade tem sido canalizada para o meu querido Conservatório do Dão , aí penso ter feito novos amigos, que já tanto estimo. E fazer amigos verdadeiros é tão raro e tão excepcional que me sinto bafejado pela boa fortuna.

Resumindo : tal como no filme da Sofia Copolla, embora desenraizado...continuo vivo e recomendo-me :-) .